Glycyrrhiza glabra L.
1. Para que serve o alcaçuz?
O alcaçuz (Glycyrrhiza glabra L.) é uma planta tradicionalmente utilizada principalmente pela raiz. Seu uso está associado a diferentes preparações da medicina tradicional, especialmente para queixas digestivas e respiratórias. A raiz contém compostos característicos, mas o uso medicinal não deve ser confundido com eficácia comprovada para doenças específicas.
Uso tradicional: a raiz é tradicionalmente utilizada para queixas digestivas e respiratórias.
Princípios ativos mais importantes: o principal composto característico é a glicirrizina, além de flavonoides e outros constituintes presentes na raiz.
Parte utilizada: principalmente a raiz.

Imagem ilustrativa.
Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra L.), espécie cuja raiz é utilizada tradicionalmente. A aparência da planta e da raiz pode variar conforme o estágio de desenvolvimento e o processamento.
2. NOTA BOTÂNICA
A imagem apresentada possui finalidade exclusivamente ilustrativa e representa características botânicas do Glycyrrhiza glabra L.. A espécie pertence à família Fabaceae e é nativa de regiões da Europa, Ásia Ocidental e Oriente Médio.
Trata-se de uma planta herbácea perene que pode atingir cerca de 1 a 1,5 metro de altura. Possui folhas compostas pinadas, flores azuladas a lilases reunidas em inflorescências e frutos do tipo legume.
A parte medicinal mais importante corresponde às raízes e aos rizomas, ricos em glicirrizina, responsável pelo sabor intensamente adocicado característico do alcaçuz.
A composição química varia conforme a origem geográfica, condições de cultivo, idade da planta, época da colheita e método de processamento das raízes.
O alcaçuz encontra-se descrito em importantes monografias internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (WHO), European Medicines Agency (EMA) e European Scientific Cooperative on Phytotherapy (ESCOP).
3. IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA
🌿 Nome científico completo: Glycyrrhiza glabra L.
🌿 Família botânica: Fabaceae.
🌿 Subfamília: Faboideae.
🌿 Gênero: Glycyrrhiza.
🌿 Nome científico aceito: Glycyrrhiza glabra L.
🌿 Nomes populares:
• Alcaçuz.
• Licorice.
• Liquorice.
• Regaliz.
• Alcaçuz-europeu.
🌿 Partes tradicionalmente utilizadas: raízes e rizomas.
🌿 Parte mais investigada cientificamente: raízes e rizomas.
🌿 Atenção para identificação: outras espécies podem receber o nome popular “alcaçuz”, porém Glycyrrhiza glabra é a espécie medicinal oficialmente reconhecida nas principais farmacopeias.
4. FICHA TÉCNICA DA PLANTA
🌿 Nome científico: Glycyrrhiza glabra L.
🌿 Família botânica: Fabaceae.
🌿 Origem: Europa Meridional, Ásia Ocidental e Oriente Médio.
🌿 Distribuição: cultivada em diversos países da Europa, Ásia, Oriente Médio e outras regiões de clima temperado.
🌿 Descrição botânica resumida:
Planta herbácea perene, com sistema radicular vigoroso, folhas compostas pinadas, flores lilases e frutos do tipo legume. As raízes apresentam sabor naturalmente adocicado devido à elevada concentração de glicirrizina.
🌿 Partes utilizadas: raízes e rizomas.
🌿 Principais compostos estudados:
• Glicirrizina.
• Ácido glicirretínico.
• Liquiritina.
• Isoliquiritigenina.
• Glabridina.
• Flavonoides.
• Saponinas triterpênicas.
• Compostos fenólicos.
🌿 Principais propriedades estudadas:
• Gastroprotetora.
• Anti-inflamatória.
• Expectorante.
• Antioxidante.
• Antiviral.
• Imunomoduladora.
🌿 Nível geral de evidência científica: 🟢 Boa evidência científica para algumas aplicações gastrointestinais específicas e 🟡 Evidência moderada para diversas outras aplicações investigadas.
🌿 Observação de segurança: o uso prolongado ou em altas doses pode provocar retenção de sódio, perda de potássio, hipertensão arterial e outras alterações decorrentes da glicirrizina. A utilização deve respeitar as recomendações de segurança e as contraindicações descritas na literatura científica.
5. LEGENDA DE EVIDÊNCIA CIENTÍFICA
As informações apresentadas neste material foram classificadas conforme o nível de evidência científica disponível na literatura especializada.
🟢 Boa evidência científica
Resultados sustentados por revisões sistemáticas, ensaios clínicos, monografias oficiais ou conjunto consistente de estudos experimentais e clínicos.
🟡 Evidência científica moderada
Existem estudos promissores e reconhecimento tradicional, porém ainda são necessários mais ensaios clínicos para confirmar determinadas aplicações.
🔴 Evidência científica limitada
As informações baseiam-se principalmente em estudos laboratoriais, modelos animais, relatos tradicionais ou número reduzido de pesquisas clínicas.
As informações desta publicação foram elaboradas com base nas monografias da WHO, EMA, ESCOP e literatura científica disponível até a data de sua publicação.
6. PRINCIPAIS PROPRIEDADES MEDICINAIS ESTUDADAS CIENTIFICAMENTE
O Glycyrrhiza glabra L. está entre as plantas medicinais mais estudadas do mundo. As pesquisas concentram-se principalmente nas raízes e rizomas, ricos em glicirrizina, flavonoides e saponinas triterpênicas.
🟢 Gastroprotetora
Partes estudadas: raízes e rizomas.
Diversos estudos experimentais e clínicos demonstram efeito protetor sobre a mucosa gástrica, contribuindo para o tratamento complementar de gastrite e úlceras gástricas quando utilizado em preparações específicas, especialmente extratos desglicirrizinados (DGL).
🟢 Anti-inflamatória
Partes estudadas: raízes e rizomas.
A glicirrizina, o ácido glicirretínico e flavonoides apresentam capacidade de modular mediadores inflamatórios em estudos experimentais e clínicos.
🟡 Expectorante
Partes estudadas: raízes e rizomas.
Tradicionalmente empregado para aliviar tosse produtiva e favorecer a eliminação de secreções das vias respiratórias. Alguns estudos sustentam esse uso como terapia complementar.
🟡 Antiviral
Partes estudadas: raízes e extratos padronizados.
Pesquisas laboratoriais demonstram atividade contra diferentes vírus, incluindo estudos envolvendo hepatites, herpesvírus e coronavírus. Entretanto, esses resultados não significam eficácia clínica comprovada para tratamento dessas infecções.
🟡 Antioxidante
Partes estudadas: raízes.
Os flavonoides presentes na planta apresentam elevada atividade antioxidante demonstrada em estudos experimentais.
🟡 Imunomoduladora
Partes estudadas: raízes e extratos.
Pesquisas investigam a modulação da resposta imunológica, porém ainda são necessários estudos clínicos adicionais.
🔴 Potencial hepatoprotetor
Partes estudadas: raízes.
Resultados experimentais sugerem proteção contra danos hepáticos em determinados modelos, porém a aplicação clínica ainda permanece em investigação.
7. USOS POPULARES E TRADICIONAIS
O alcaçuz é utilizado há milhares de anos na Medicina Tradicional Chinesa, na Medicina Ayurvédica e na fitoterapia europeia.
Entre os principais usos tradicionais encontram-se:
🌿 Auxílio no alívio da azia e gastrite.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes e rizomas.
🌿 Tratamento complementar de úlceras gástricas.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
🌿 Alívio da tosse.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
🌿 Expectorante em resfriados.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
🌿 Auxílio em irritações da garganta.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
🌿 Uso tradicional como anti-inflamatório.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes e rizomas.
🌿 Utilização em preparações digestivas.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
🌿 Emprego como aromatizante natural em alimentos, bebidas e medicamentos.
Parte tradicionalmente utilizada: raízes.
Embora muitos desses usos sejam respaldados por estudos científicos, o uso prolongado do alcaçuz deve ser evitado sem orientação profissional devido ao risco de efeitos adversos relacionados à glicirrizina.
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8. PRINCIPAIS COMPOSTOS BIOATIVOS E MECANISMOS ESTUDADOS
As propriedades farmacológicas do Glycyrrhiza glabra estão relacionadas principalmente aos compostos presentes nas raízes e rizomas.
Glicirrizina
Encontrada principalmente em: raízes e rizomas.
Principal saponina triterpênica da planta, responsável pelo sabor adocicado característico. Apresenta atividades anti-inflamatória, antiviral, gastroprotetora e imunomoduladora em diversos estudos.
Ácido glicirretínico
Encontrado principalmente em: raízes.
Metabólito derivado da glicirrizina, investigado por seus efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e antivirais.
Glabridina
Encontrada principalmente em: raízes.
Flavonoide estudado por sua atividade antioxidante, anti-inflamatória e potencial proteção cardiovascular.
Liquiritina
Encontrada principalmente em: raízes.
Flavonoide associado às atividades antioxidantes e gastroprotetoras.
Isoliquiritigenina
Encontrada principalmente em: raízes.
Chalcona investigada por possíveis atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras.
Flavonoides
Encontrados principalmente em: raízes.
Contribuem para os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios observados em diversos estudos.
Saponinas triterpênicas
Encontradas principalmente em: raízes e rizomas.
Participam das atividades expectorante, gastroprotetora e imunomoduladora investigadas experimentalmente.
Mecanismos estudados:
• Modulação de mediadores inflamatórios.
• Proteção da mucosa gástrica.
• Atividade antioxidante contra radicais livres.
• Estímulo da secreção de muco protetor no estômago.
• Modulação experimental da resposta imunológica.
• Atividade antiviral observada em estudos laboratoriais.
9. O QUE A CIÊNCIA JÁ INVESTIGOU
O Glycyrrhiza glabra L. está entre as plantas medicinais mais estudadas da fitoterapia mundial. A maior parte das pesquisas concentra-se nas raízes, rizomas, extratos padronizados e compostos isolados, especialmente a glicirrizina e seus metabólitos.
As principais linhas de investigação científica incluem:
🌿 Proteção da mucosa gástrica.
🌿 Tratamento complementar da gastrite e úlcera péptica.
🌿 Atividade anti-inflamatória.
🌿 Atividade antioxidante.
🌿 Ação expectorante em doenças respiratórias leves.
🌿 Potencial antiviral contra diversos vírus.
🌿 Modulação da resposta imunológica.
🌿 Potencial hepatoprotetor.
🌿 Estudos sobre atividade antimicrobiana.
🌿 Desenvolvimento de derivados desglicirrizinados (DGL) para reduzir efeitos adversos relacionados à glicirrizina.
As evidências mais consistentes concentram-se na proteção da mucosa gastrointestinal e na atividade anti-inflamatória. Diversas outras aplicações permanecem em investigação clínica.
10. 🔬 DIFERENÇA ENTRE USO POPULAR E EVIDÊNCIA CIENTÍFICA
🌿 Uso popular
Tradicionalmente, o alcaçuz é utilizado para aliviar gastrite, azia, úlceras, tosse, irritações da garganta, bronquites, rouquidão e desconfortos digestivos. Também é empregado como expectorante e aromatizante natural.
🔬 Evidência científica
Os estudos sustentam principalmente o efeito gastroprotetor, anti-inflamatório e o uso complementar em algumas doenças digestivas, especialmente com extratos padronizados e preparações desglicirrizinadas (DGL). As atividades antivirais, imunomoduladoras, hepatoprotetoras e diversas outras aplicações apresentam resultados promissores, porém ainda dependem de confirmação clínica adicional.
O uso prolongado de preparações contendo glicirrizina pode provocar efeitos adversos importantes, motivo pelo qual o acompanhamento profissional é recomendado.
11. FORMAS TRADICIONAIS DE UTILIZAÇÃO
As preparações tradicionais utilizam principalmente as raízes e os rizomas do Glycyrrhiza glabra.
Entre as formas tradicionais de utilização encontram-se:
🌿 Infusão (chá).
Parte utilizada: raízes secas.
🌿 Decocção.
Parte utilizada: raízes e rizomas.
🌿 Extratos líquidos padronizados.
Parte utilizada: raízes.
🌿 Extratos secos padronizados.
Parte utilizada: raízes.
🌿 Preparações desglicirrizinadas (DGL).
Parte utilizada: raízes.
🌿 Xaropes expectorantes.
Parte utilizada: raízes.
🌿 Pastilhas para garganta.
Parte utilizada: extrato das raízes.
Importante: As preparações desglicirrizinadas (DGL) removem grande parte da glicirrizina, reduzindo significativamente o risco de hipertensão, retenção de líquidos e perda de potássio associados ao uso prolongado.
12. 🌼 FLORAIS DE ALCAÇUZ (Glycyrrhiza glabra L.)
🌼 Até o momento, o Glycyrrhiza glabra não integra os principais sistemas florais internacionalmente reconhecidos, como os Florais de Bach.
🌼 Alguns sistemas florais independentes podem utilizar espécies medicinais diversas, porém não existe padronização amplamente aceita para floral de alcaçuz.
🌼 Nível de evidência científica: 🔴 Não existem evidências clínicas robustas que comprovem eficácia terapêutica específica dos florais preparados com Glycyrrhiza glabra.
🌼 Os florais devem ser compreendidos como práticas integrativas complementares e não substituem tratamentos médicos ou medicamentos.
13. 🧴 ÓLEO ESSENCIAL DE ALCAÇUZ (Glycyrrhiza glabra L.)
🧴 O Glycyrrhiza glabra não é considerado uma importante fonte comercial de óleo essencial para aplicações terapêuticas.
🧴 A maior parte das propriedades farmacológicas investigadas está relacionada aos compostos presentes nas raízes e nos extratos, especialmente glicirrizina, ácido glicirretínico e flavonoides.
🧴 Existem estudos químicos envolvendo constituintes voláteis da planta, porém eles representam pequena parte das pesquisas realizadas com a espécie.
🧴 Disponibilidade comercial: atualmente o óleo essencial de alcaçuz possui disponibilidade muito limitada, sendo encontrado principalmente para pesquisas e aplicações experimentais, não havendo ampla comercialização para uso terapêutico.
🧴 Nível de evidência científica: 🔴 Evidência limitada para aplicações terapêuticas do óleo essencial, permanecendo a maior parte das pesquisas concentrada nos extratos das raízes.
14. CONSIDERAÇÕES SOBRE SEGURANÇA E RESPONSABILIDADE
O Glycyrrhiza glabra L. é uma das plantas medicinais mais estudadas do mundo e possui monografias publicadas por importantes órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (WHO), a European Medicines Agency (EMA) e a European Scientific Cooperative on Phytotherapy (ESCOP).
Apesar de seu uso tradicional e das evidências científicas para algumas aplicações, o alcaçuz não deve ser utilizado continuamente ou em doses elevadas sem orientação profissional.
A glicirrizina, principal saponina presente na planta, pode provocar retenção de sódio, perda de potássio, aumento da pressão arterial, edema e alterações cardiovasculares quando utilizada por períodos prolongados ou em quantidades excessivas.
Preparações desglicirrizinadas (DGL) apresentam menor risco desses efeitos adversos, sendo frequentemente utilizadas em estudos relacionados à proteção da mucosa gástrica.
As informações desta publicação possuem finalidade exclusivamente educativa e informativa e não substituem diagnóstico, prescrição ou tratamento realizado por profissionais habilitados.
15. CONTRAINDICAÇÕES, INTERAÇÕES E CUIDADOS
O uso do Glycyrrhiza glabra requer atenção especial devido às possíveis interações medicamentosas e aos efeitos associados à glicirrizina.
🌿 Gestantes: o uso não é recomendado, salvo orientação profissional, devido ao risco de alterações hormonais e possíveis efeitos sobre a gestação.
🌿 Lactantes: faltam estudos clínicos suficientes que estabeleçam segurança durante a amamentação.
🌿 Crianças: utilizar apenas sob orientação de profissional habilitado.
🌿 Hipertensos: o uso é contraindicado ou deve ocorrer apenas sob rigoroso acompanhamento profissional, devido ao risco de aumento da pressão arterial.
🌿 Pessoas com insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou doenças hepáticas: devem evitar o uso sem orientação médica.
🌿 Possíveis interações medicamentosas:
• Diuréticos.
• Corticoides.
• Anti-hipertensivos.
• Digoxina.
• Antiarrítmicos.
• Laxantes estimulantes.
• Medicamentos que reduzem os níveis de potássio.
🌿 Possíveis efeitos adversos:
• Hipertensão arterial.
• Retenção de líquidos.
• Hipocalemia (redução do potássio).
• Edema.
• Cefaleia.
• Fraqueza muscular.
• Alterações do ritmo cardíaco em casos graves.
Importante: Preparações contendo glicirrizina não devem ser utilizadas continuamente por períodos prolongados sem acompanhamento profissional.
16. OUTRAS APLICAÇÕES EM ESTUDO
Além das aplicações digestivas e respiratórias tradicionalmente conhecidas, diversas pesquisas continuam investigando novos potenciais farmacológicos do Glycyrrhiza glabra.
As principais linhas atuais de investigação incluem:
🌿 Desenvolvimento de novos antivirais.
🌿 Estudos sobre atividade imunomoduladora.
🌿 Avaliação do potencial anti-inflamatório sistêmico.
🌿 Investigação da atividade antioxidante em doenças crônicas.
🌿 Estudos sobre proteção hepática.
🌿 Avaliação do potencial neuroprotetor.
🌿 Pesquisas relacionadas ao metabolismo da glicose.
🌿 Desenvolvimento de novos fitoterápicos padronizados.
🌿 Aplicações em cosméticos dermatológicos.
🌿 Estudos sobre compostos fenólicos e flavonoides bioativos.
Embora muitos resultados sejam promissores, diversas aplicações ainda permanecem em fase experimental e necessitam de confirmação por ensaios clínicos de alta qualidade antes de integrarem recomendações terapêuticas oficiais.
17. ORIGEM, HISTÓRIA E CURIOSIDADES
O Glycyrrhiza glabra L. é originário da Europa Meridional, Ásia Ocidental e regiões do Oriente Médio. Seu uso medicinal é documentado há mais de 3.000 anos, figurando entre as plantas medicinais mais antigas da humanidade.
Registros históricos indicam que o alcaçuz era utilizado pelos antigos egípcios, gregos, romanos, persas e chineses. No Egito Antigo, raízes de alcaçuz foram encontradas na tumba do faraó Tutancâmon, demonstrando sua importância cultural e medicinal.
Na Medicina Tradicional Chinesa, o alcaçuz é considerado uma das plantas mais importantes da farmacopeia, sendo empregado tanto por suas propriedades medicinais quanto para harmonizar formulações contendo diversas plantas.
Na Europa, a espécie tornou-se amplamente utilizada durante a Idade Média para o tratamento complementar de doenças respiratórias, digestivas e inflamatórias. Atualmente, continua presente em medicamentos fitoterápicos, alimentos, bebidas, confeitaria, cosméticos e na indústria farmacêutica.
Além da utilização medicinal, o sabor naturalmente adocicado da glicirrizina fez do alcaçuz um importante ingrediente para produção de balas, xaropes, bebidas e produtos alimentícios em diversos países.
18. CURIOSIDADES BOTÂNICAS
🌿 O Glycyrrhiza glabra pertence à família Fabaceae, a mesma do feijão, da soja e do amendoim.
🌿 A glicirrizina presente nas raízes pode apresentar poder adoçante aproximadamente 30 a 50 vezes superior ao da sacarose.
🌿 A espécie é perene e pode permanecer produtiva durante vários anos após o estabelecimento da cultura.
🌿 As raízes e os rizomas constituem a parte de maior interesse medicinal e farmacêutico.
🌿 Existem outras espécies do gênero Glycyrrhiza, como Glycyrrhiza uralensis e Glycyrrhiza inflata, também utilizadas na Medicina Tradicional Chinesa.
🌿 O extrato desglicirrizinado (DGL) foi desenvolvido para preservar parte das propriedades gastroprotetoras reduzindo o risco de efeitos adversos associados à glicirrizina.
🌿 O alcaçuz permanece entre as plantas medicinais mais pesquisadas em farmacologia, fitoquímica e desenvolvimento de fitoterápicos.
19. REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
• World Health Organization (WHO). WHO Monographs on Selected Medicinal Plants: Glycyrrhizae Radix.
• European Medicines Agency (EMA). Assessment Report on Glycyrrhiza glabra L., Glycyrrhiza inflata Bat. and Glycyrrhiza uralensis Fisch.
• European Scientific Cooperative on Phytotherapy (ESCOP). ESCOP Monographs: Liquorice Root.
• Kew Science. Plants of the World Online (POWO): Glycyrrhiza glabra L.
• World Flora Online. Glycyrrhiza glabra L.
• Fiore C, Eisenhut M, Ragazzi E et al. A history of the therapeutic use of liquorice in Europe. Journal of Ethnopharmacology.
• Pastorino G, Cornara L, Soares S, Rodrigues F, Oliveira MBPP. Liquorice (Glycyrrhiza glabra): A phytochemical and pharmacological review. Phytotherapy Research.
• Artigos publicados em periódicos como Journal of Ethnopharmacology, Phytotherapy Research, Molecules, Frontiers in Pharmacology, Food Chemistry e Pharmacological Research, abordando fitoquímica, glicirrizina, gastroproteção, atividade antiviral, imunomodulação e segurança do alcaçuz.
20. AVISO DE ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA
As informações apresentadas nesta publicação possuem finalidade exclusivamente educativa e informativa e não substituem diagnóstico, orientação ou tratamento realizado por profissionais habilitados.
O Glycyrrhiza glabra apresenta evidências científicas favoráveis para determinadas aplicações, especialmente relacionadas à proteção da mucosa gastrointestinal e à atividade anti-inflamatória. Entretanto, diversas outras aplicações permanecem em investigação clínica.
O uso prolongado de preparações contendo glicirrizina pode ocasionar efeitos adversos importantes, sendo indispensável respeitar as contraindicações, possíveis interações medicamentosas e orientações de profissionais da saúde.
As informações apresentadas refletem o conhecimento científico disponível na data da publicação e poderão ser atualizadas conforme novas evidências científicas forem publicadas.
Isenção de responsabilidade: Os autores e responsáveis por este conteúdo não se responsabilizam por danos, prejuízos ou decisões tomadas com base exclusivamente nas informações aqui apresentadas. Sempre procure orientação de um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer planta medicinal com finalidade terapêutica.







